Logo na primeira frase do seu Breviário, Predrag Matvejevitch adverte: «Não sabemos ao certo até onde vai o Mediterrâneo, nem que parte do litoral ocupa, nem onde acaba». E, no final do parágrafo, ainda acrescenta: «O Mediterrâneo não é apenas uma geografia», como que a anunciar que a obra que se segue evoca mais do que descreve. O Mar de Matvejevitch é um território abstracto e organizado sobre uma tecedura complexa de espaço e tempo.

Os tambores da chuva só se ouvem quando vai chover. Avisam o exército turco que é hora de retirar.

O cerco a esta cidadela albanesa começa em 18 de Junho e termina em 1 de Outubro, de um certo ano do século XV. O cerco turco durou todo o Verão, e era sabido que se não tomassem a cidadela durante o tempo seco, não iriam conseguir fazê-lo após as primeiras chuvas.

Gaivotas em terra, dizem, tempestade no mar. No caso da gaivota Kengah, tratou-se de uma tempestade negra: foi uma maré negra de petróleo que a forçou a ir para terra e quase a matou. Uma maré negra no Mar do Norte, junto à foz do rio Elba, na Alemanha, ponto de encontro de rotas migratórias das gaivotas.

‘Chegou o decreto do Altíssimo e, com ele, o fim.’ Coube-me a mim fechar-lhe os olhos. Perdurar é privilégio de Alá, mas não consigo evitar as lágrimas enquanto rezo por al-Mu’tamid que foi meu rei e um poeta bem mais auspicioso do que o seu trágico destino. Luto contra esta dor como contra um dilúvio, ainda assim não paro de chorar. Faço por me lembrar que ele nunca me perfilhou, …

Ler por aí… no al-Andalus: Crónica do Rei Poeta al-Mu’tamid, de Ana Cristina Silva continue a ler »

Há muitos lugares na vastidão deste mundo em que ainda não temos uma proposta de leitura para Ler por aí… Se fosse viajar para Bolonha, Itália, que livro levaria na bagagem? Se tiver uma boa sugestão, aceite o desafio e deixe o seu comentário nesta página ou envie-nos uma mensagem para lerporai@lerporai.com. Divirta-se a Ler por aí… Margarida Branco © Ler por aí…   Mantenha-se a par do que fazemos. Siga-nos: …

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Recordo-me da estranha humidade durante esse primeiro setembro que passei na cidade. Recordo-me do cheiro a ranço e do ruído constante quando os lojistas subiam e desciam os estores de aço. Recordo-me do som dos carros e das motos a reverberar contra os velhos edifícios de pedra, do som de passos e das vozes que ecoavam nas ruas estreitas. Estava-se em 1975, dois meses antes da morte do general Franco. …

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A promessa de regressar a este livro foi feita em Outubro de 2007. Dez anos depois (dez anos?!) visitei Berlim. Aqui estou, hoje, a terminar este texto sobre A Sétima Porta. Depois de o ler. Depois de o Ler por aí… – este livro acompanhou-me antes, durante e depois de Berlim. São 650 páginas de Berlim, de Sophie, de Isaac, de Hansi, de Vera… 

Casanova seduzia, seduzia e seduzia. Mas Giacomo Casanova foi uma figura muito mais ampla e interessante, e é aqui retratada nos seus diversos cambiantes. O livro é composto de seis cartas imaginadas pelo autor, Autónio Mega Ferreira. São seis cartas imaginadas, mas que poderiam (ou não) ter sido escritas por Casanova, pois baseiam-se em factos relatados pelo próprio na sua Histoire de ma vie – apesar de, afirma o próprio Mega Ferreira, não se saber, “(…) sequer se Casanova alguma vez esteve em Lisboa, pelo que pode nem as ter escrito. É esse o princípio da ficção.”

Caro Mário,
Permita-me perguntar-lhe: onde imaginou Tarcisis? A Lusitânia, província do império romano, ocupava o sudoeste da península ibérica. Em Tarcisis, cidade da Lusitânia, estamos seguramente, afastados do Guadiana e do mar: as cinzas de Trifeno “seriam lançadas lá longe, no Anas”; e a certo ponto chega “um carregamento de garum e sardinhas frescas do litoral”. O Mário refere outras cidades da Lusitânia – Emerita (Mérida, a capital da província romana da Lusitânia), Miróbriga (perto de Santiago do Cacém), Ossónoba (Faro), Vipasca (Aljustrel) – que ficam assim excluidas das possibilidades – seriam sempre excluidas, uma vez que Tarcisis é uma cidade ficcionada.

Considerada por muitos a obra-prima de Aquilino Ribeiro, A Casa Grande de Romarigães narra o apogeu e a decadência das casas fidalgas. Trata-se de “uma crónica romanceada” como o próprio autor a define, e no prefácio narra as peripécias de sua composição, inclusive respondendo ambígua e jocosamente a um “académico de Argamasilha, ou lente de Coimbra”: “- Um romance… ? Deus me livre!”

Os animais têm faculdades ainda inexplicáveis pela racionalidade. Os gatos, em particular, são seres misteriosos, que desde os tempos mais antigos estão associados a superstições e rituais sagrados. Este gato percebeu (na falta de melhor palavra) que os donos não podiam embarcar no grande navio Vasa. Não se sabe com que sentido o percebeu. Mas conseguiu salvá-los do naufrágio.

Júlia foi uma mulher da primeira república. Não somos informados de onde nasceu, apenas que foi em Lisboa. Reconhecemos, nascidos no mesmo ano que Júlia (que pertenceu à maioria que foi esquecida), quatro figuras que ficaram lembradas: D. Manuel II, António de Oliveira Salazar, o Cardeal Cerejeira, e Fernando Pessoa. Ao longo da narrativa, vão-nos sendo dadas notas do percurso destas figuras, sempre que o de Júlia neles tropeça.

Em Ilhas Contadas contamos dez ilhas, em dez contos. Dez contos sim, dez ilhas não. Oito ilhas, uma vez que a Ilha da Madeira, e o Funchal, são cenário de três destas histórias. Helena Marques não nasceu no Funchal, mas ali viveu toda a infância e juventude.