A história desta velha passa-se em Cabo Verde – na época da colonização portuguesa – mais concretamente, na ilha de Santiago – numa vila chamada Lém, que fica no interior da ilha, a cerca de 12 kms da Praia, portanto na parte Sul da ilha. É esta vila que, na história, se torna o novo centro do cristianismo.

Uma oficina de restauro de pianos em Benfica, mas não nos prédios que hoje lá existem. Era no núcleo antigo de Benfica que ficava a oficina. Dos pianos velhos que jaziam no cemitério retiravam-se peças para os pianos a reparar. Dentro de um piano, uma peça de um piano mais velho, como no filho, e no neto, há peças do pai e do avô. A história desenvolve-se neste círculo, e alterna entre duas épocas e duas gerações, – a renovação. Nascimentos e mortes coincidem no tempo. O mais velho dá lugar ao mais novo. A vida acontece no entretanto, sempre repetida, mas diferente.

“Caso não saiba que fazer com os olhos ávidos, tem sempre ao seu dispor esse outro, sempre próximo, interior : um livro.”
Esta é a proposta de Susan Sontag logo desde o prólogo de “O Amante do Vulcão”. A autora leva-nos até Nápoles, uma pacata cidade a caminho do Sul de Itália, encostada nas sombras do Monte Vesúvio. Mas mais do que oferecer-nos uma viagem turística, Susan Sontag leva-nos a viajar no tempo até aos finais do século XVIII, na companhia de Sir William Hamilton, embaixador inglês para o Reino das Duas Sicílias, então ainda uma posse do reino Bourbon de Espanha, e também conhecido entre os seus pares ingleses com o nome de Il Cavaliere.

Senhoras, senhores, amigos,Quero fazer um esclarecimento prévio, e que provavelmente serão vários esclarecimentos prévios. O primeiro é que eu ditei, apressadamente, por telefone, a ordem dos temas destas conferências, e depois, pensando melhor, julguei mais natural modificar essa ordem. De modo que começaremos, para considerar a história do tango, começaremos pelo teatro, pelo ambiente, depois pelas personagens do tango, depois pela evolução que já tem bastante mais de meio século, …

Ler por aí… em Buenos Aires: O Tango, Quatro Conferências, de Jorge Luis Borges continue a ler »

Ler por aí... no Japão: A Casa das Belas Adormecidas, de Yasunari Kawabata

Uma casa onde jovens raparigas dormem sob o efeito de drogas, para deleite de homens “no inactivo”. Eguchi foi a esta casa para experimentar, e ficou tão impressionado que não resistir a ir mais algumas vezes dormir com estas jovens, inanimadas porém extraordinariamente belas.

Não sabemos onde se situa a Casa das Belas Adormecidas. Apenas nos é dito que fica numa região quente, e sabemos que fica junto ao mar – o barulho das ondas na falésia soa ruidosamente dentro da casa. O som das ondas a rebentar na falésia cria uma atmosfera fantasmagórica – fez-me pensar na Pousada da Jamaica (Jamaica Inn), o filme de Alfred Hitchcock, não o romance de Daphne du Maurier, que não li.

Logo na primeira frase do seu Breviário, Predrag Matvejevitch adverte: «Não sabemos ao certo até onde vai o Mediterrâneo, nem que parte do litoral ocupa, nem onde acaba». E, no final do parágrafo, ainda acrescenta: «O Mediterrâneo não é apenas uma geografia», como que a anunciar que a obra que se segue evoca mais do que descreve. O Mar de Matvejevitch é um território abstracto e organizado sobre uma tecedura complexa de espaço e tempo.

Os tambores da chuva só se ouvem quando vai chover. Avisam o exército turco que é hora de retirar.

O cerco a esta cidadela albanesa começa em 18 de Junho e termina em 1 de Outubro, de um certo ano do século XV. O cerco turco durou todo o Verão, e era sabido que se não tomassem a cidadela durante o tempo seco, não iriam conseguir fazê-lo após as primeiras chuvas.

Imaginemos o Alasca como um território inóspito, selvagem, muito, muito frio, e com paisagens magníficas. Conseguimos imaginar o estado de espírito de Roy, um adolescente, ávido de vida, ao ver-se obrigado a ir por um ano (um ano, na adolescência, é uma eternidade…) para uma ilha deserta no Alasca: sem escola, sem amigos, sem nada de estimulante que não as magníficas paisagens e a necessidade de sobreviver a um Inverno escuro, duro e longo:

Gaivotas em terra, dizem, tempestade no mar. No caso da gaivota Kengah, tratou-se de uma tempestade negra: foi uma maré negra de petróleo que a forçou a ir para terra e quase a matou. Uma maré negra no Mar do Norte, junto à foz do rio Elba, na Alemanha, ponto de encontro de rotas migratórias das gaivotas.

‘Chegou o decreto do Altíssimo e, com ele, o fim.’ Coube-me a mim fechar-lhe os olhos. Perdurar é privilégio de Alá, mas não consigo evitar as lágrimas enquanto rezo por al-Mu’tamid que foi meu rei e um poeta bem mais auspicioso do que o seu trágico destino. Luto contra esta dor como contra um dilúvio, ainda assim não paro de chorar. Faço por me lembrar que ele nunca me perfilhou, …

Ler por aí… no al-Andalus: Crónica do Rei Poeta al-Mu’tamid, de Ana Cristina Silva continue a ler »

No Quarto do despejo, a autora Carolina Maria de Jesus apresenta-nos constantemente uma visão dicotômica sobre a cidade e a favela usando uma linguagem crua e directa, razão pela qual a sua obra foi escolhida como livro de destaque do mês de Maio.
O livro  é considerado por muitos como a primeira obra da literatura marginal brasileira; e  Carolina Maria de Jesus, autora, mulher, negra, pobre, mãe solteira, favelada, catadora de lixo, é considerada uma figura central no desenvolvimento da literatura marginal que elege a periferia como lugar de fala. 

Há muitos lugares na vastidão deste mundo em que ainda não temos uma proposta de leitura para Ler por aí… Se fosse viajar para Bolonha, Itália, que livro levaria na bagagem? Se tiver uma boa sugestão, aceite o desafio e deixe o seu comentário nesta página ou envie-nos uma mensagem para lerporai@lerporai.com. Divirta-se a Ler por aí… Margarida Branco © Ler por aí…   Mantenha-se a par do que fazemos. Siga-nos: …

Ler por aí… em Bolonha, Itália continue a ler »