O site Ler por aí… faz este mês um ano. E para assinalar esta data, resolvemos dar finalmente alguma liberdade aos nossos leitores, e deixá-los ler o livro sugerido onde quiserem. Isto porque desta vez, sugerimos um livro diferente: é um livro para Ler por aí… em lugares imaginários!

O casebre de Leonardo e Ermelinda era em Padornelos, junto a Montalegre. Era também nessa aldeia a casa de Santiago, a primeira casa de emigrante a surgir por ali. Ferreira de Castro consegue fazer-nos sentir que a terra ali é mesmo fria e húmida, sem conforto, que se vive pobremente, longe da civilização e perto da natureza e dos animais – sobretudo junto dos animais. Ainda se podem observar aldeias como esta na região, em que as vacas e os bois se passeiam pelas ruas e as plantam de bosta. Uma chega de bois era ali um raro divertimento a que acudia todo o povo da aldeia e das aldeias vizinhas.

O Vale do Rift, a grande falha tectónica que se estende desde a Síria até Moçambique, é o berço da humanidade, a região do planeta a partir de onde os nossos antepassados mais remotos iniciaram a longa caminhada e se espalharam por todo o mundo. Sabendo isto, poder-se-á imaginar que os nativos destas regiões sejam os mais genuínos descendentes daqueles seres antigos.

Sendo um livro de contos, em Gente de Dublin não há um lugar chave, uma vez que em cada conto existe esse lugar. Em alguns, não é sequer especificado o lugar exacto em que a história se movimenta. Ler por aí… Gente de Dublin justifica-se, no entanto, pela apreciação dos tipos que Joyce caracterizou, e do próprio ambiente que se vivia na cidade no final do século XIX.

Ler por aí… em Alfama, Lisboa: O Último Cabalista de Lisboa, de Richard Zimler

O espaço da Judiaria Pequena, em Lisboa, em parte já não existe, devido à destruição provocada pelo terramoto de 1755. Mesmo assim, sendo Alfama um bairro de origem medieval, dos que menos sofreu com o terramoto, algumas das ruas referidas na obra são ainda identificáveis.

A Tenda dos Milagres ficava na Ladeira do Tabuão, número 60, no limite da Baixa do Sapateiro (bairro imortalizado na canção de Ary Barroso), em São Salvador da Baía. Era uma oficina tipográfica, pertencente a Mestre Lídio Corró, que ali também “riscava milagres”, e era o ponto de encontro da gente do bairro, gente de sangue misturado de Europa e África.

Ema vivia no Romesal, em criança. Com o casamento, mudou-se para Vale Abraão. E frequentemente visitava o Vesúvio. Estes são três lugares fundamentais deste romance de Agustina, todos eles situados na região do Douro, algures entre Lamego e a Régua, na margem Sul do rio. Esta margem é estupendamente retratada logo no início da obra.