Este livro é como um mosaico de diferentes histórias que não chegam a entrelaçar-se, embora ocupem o mesmo espaço. O espaço de uma pequena aldeia alentejana, com as suas paredes caiadas e as portas e janelas contornadas a azul, o azul Alentejo. Esta aldeia é Mamarrosa, uma aldeia imaginada pela autora, que terá passado umas férias no Alentejo, que a inspiraram para a escrita deste livro. Sendo uma aldeia imaginada, sabemos que se situa junto ao litoral, e por ser azul, podemos imaginar (também nós) que seria semelhante a Santa Susana, uma pequena aldeia, azul, no concelho de Alcácer do Sal.

Aceitando a sugestão de Rui Cóias, poeta e bloguista (Fundamentos de Passagem), li e fiquei rendida, daí que a proposta deste mês é a Mulher de Porto Pim, de António Tabucchi.

O pequeno livro está recheado de histórias, fragmentos, descrições mais ou menos científicas e até regulamentos. O epicentro de todos eles, o arquipélago dos Açores.

A agência de detectives de Mma Ramotswe ficava situada nos arredores de Gabarone, a capital do Botswana. Ali era a orla do deserto do Calahari, que se via da janela. Os clientes tomavam ali um chá de rooibos e contavam os seus casos, e ali também ela se entregava à reflexão sobre os mesmos, e a trocas de impressões com a sua secretária Mma Makutsi, sobre os ditos mesmos.

Ler por aí… em Lisboa (Alameda e outros lugares): A Cova do Lagarto, de Filomena Marona Beja

Estamos perto da fronteira, naquela aresta a que sempre achei graça quando, na escola, desenhava o mapa de Portugal. A Sul temos o Tejo, a leste o Erges. A Oeste e a Norte, as serras da Gardunha e da Estrela, no centro Monsanto, a aldeia mais portuguesa, dizem. Fernando Namora viveu aqui.

Paul Theroux, no fantástico “Dark Star Safari”, conta-nos uma viagem que fez por terra (com a excepção da primeira etapa, Egipto – Sudão, de avião) – e em meios de transporte “locais” – entre o Cairo e Cape Town. Visitou 10 desses países – Egipto, Sudão, Etiópia, Quénia, Uganda, Tânzania, Malawi, Moçambique, Zimbabwe, e África do Sul. Quase todos anglófonos, e quase todos na África do Leste.

O site Ler por aí… faz este mês um ano. E para assinalar esta data, resolvemos dar finalmente alguma liberdade aos nossos leitores, e deixá-los ler o livro sugerido onde quiserem. Isto porque desta vez, sugerimos um livro diferente: é um livro para Ler por aí… em lugares imaginários!

O casebre de Leonardo e Ermelinda era em Padornelos, junto a Montalegre. Era também nessa aldeia a casa de Santiago, a primeira casa de emigrante a surgir por ali. Ferreira de Castro consegue fazer-nos sentir que a terra ali é mesmo fria e húmida, sem conforto, que se vive pobremente, longe da civilização e perto da natureza e dos animais – sobretudo junto dos animais. Ainda se podem observar aldeias como esta na região, em que as vacas e os bois se passeiam pelas ruas e as plantam de bosta. Uma chega de bois era ali um raro divertimento a que acudia todo o povo da aldeia e das aldeias vizinhas.

O Vale do Rift, a grande falha tectónica que se estende desde a Síria até Moçambique, é o berço da humanidade, a região do planeta a partir de onde os nossos antepassados mais remotos iniciaram a longa caminhada e se espalharam por todo o mundo. Sabendo isto, poder-se-á imaginar que os nativos destas regiões sejam os mais genuínos descendentes daqueles seres antigos.

Sendo um livro de contos, em Gente de Dublin não há um lugar chave, uma vez que em cada conto existe esse lugar. Em alguns, não é sequer especificado o lugar exacto em que a história se movimenta. Ler por aí… Gente de Dublin justifica-se, no entanto, pela apreciação dos tipos que Joyce caracterizou, e do próprio ambiente que se vivia na cidade no final do século XIX.

Ler por aí… em Alfama, Lisboa: O Último Cabalista de Lisboa, de Richard Zimler

O espaço da Judiaria Pequena, em Lisboa, em parte já não existe, devido à destruição provocada pelo terramoto de 1755. Mesmo assim, sendo Alfama um bairro de origem medieval, dos que menos sofreu com o terramoto, algumas das ruas referidas na obra são ainda identificáveis.

A Tenda dos Milagres ficava na Ladeira do Tabuão, número 60, no limite da Baixa do Sapateiro (bairro imortalizado na canção de Ary Barroso), em São Salvador da Baía. Era uma oficina tipográfica, pertencente a Mestre Lídio Corró, que ali também “riscava milagres”, e era o ponto de encontro da gente do bairro, gente de sangue misturado de Europa e África.

Ema vivia no Romesal, em criança. Com o casamento, mudou-se para Vale Abraão. E frequentemente visitava o Vesúvio. Estes são três lugares fundamentais deste romance de Agustina, todos eles situados na região do Douro, algures entre Lamego e a Régua, na margem Sul do rio. Esta margem é estupendamente retratada logo no início da obra.