Logo na primeira frase do seu Breviário, Predrag Matvejevitch adverte: «Não sabemos ao certo até onde vai o Mediterrâneo, nem que parte do litoral ocupa, nem onde acaba». E, no final do parágrafo, ainda acrescenta: «O Mediterrâneo não é apenas uma geografia», como que a anunciar que a obra que se segue evoca mais do que descreve. O Mar de Matvejevitch é um território abstracto e organizado sobre uma tecedura complexa de espaço e tempo.

Os tambores da chuva só se ouvem quando vai chover. Avisam o exército turco que é hora de retirar.

O cerco a esta cidadela albanesa começa em 18 de Junho e termina em 1 de Outubro, de um certo ano do século XV. O cerco turco durou todo o Verão, e era sabido que se não tomassem a cidadela durante o tempo seco, não iriam conseguir fazê-lo após as primeiras chuvas.

Imaginemos o Alasca como um território inóspito, selvagem, muito, muito frio, e com paisagens magníficas. Conseguimos imaginar o estado de espírito de Roy, um adolescente, ávido de vida, ao ver-se obrigado a ir por um ano (um ano, na adolescência, é uma eternidade…) para uma ilha deserta no Alasca: sem escola, sem amigos, sem nada de estimulante que não as magníficas paisagens e a necessidade de sobreviver a um Inverno escuro, duro e longo:

Gaivotas em terra, dizem, tempestade no mar. No caso da gaivota Kengah, tratou-se de uma tempestade negra: foi uma maré negra de petróleo que a forçou a ir para terra e quase a matou. Uma maré negra no Mar do Norte, junto à foz do rio Elba, na Alemanha, ponto de encontro de rotas migratórias das gaivotas.

‘Chegou o decreto do Altíssimo e, com ele, o fim.’ Coube-me a mim fechar-lhe os olhos. Perdurar é privilégio de Alá, mas não consigo evitar as lágrimas enquanto rezo por al-Mu’tamid que foi meu rei e um poeta bem mais auspicioso do que o seu trágico destino. Luto contra esta dor como contra um dilúvio, ainda assim não paro de chorar. Faço por me lembrar que ele nunca me perfilhou, …

Ler por aí… no al-Andalus: Crónica do Rei Poeta al-Mu’tamid, de Ana Cristina Silva continue a ler »

No Quarto do despejo, a autora Carolina Maria de Jesus apresenta-nos constantemente uma visão dicotômica sobre a cidade e a favela usando uma linguagem crua e directa, razão pela qual a sua obra foi escolhida como livro de destaque do mês de Maio.
O livro  é considerado por muitos como a primeira obra da literatura marginal brasileira; e  Carolina Maria de Jesus, autora, mulher, negra, pobre, mãe solteira, favelada, catadora de lixo, é considerada uma figura central no desenvolvimento da literatura marginal que elege a periferia como lugar de fala. 

Há muitos lugares na vastidão deste mundo em que ainda não temos uma proposta de leitura para Ler por aí… Se fosse viajar para Bolonha, Itália, que livro levaria na bagagem? Se tiver uma boa sugestão, aceite o desafio e deixe o seu comentário nesta página ou envie-nos uma mensagem para lerporai@lerporai.com. Divirta-se a Ler por aí… Margarida Branco © Ler por aí…   Mantenha-se a par do que fazemos. Siga-nos: …

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Ler por aí... em Timor-Leste: Peregrinação de Enmanuel Jhesus, de Pedro Rosa Mendes

Meia ilha do arquipélago das Pequenas Sondas, que está tatuado na perna direita de Alor: Timor Lorosae, onde nasce o sândalo, “…homde nace o samdollo.”

O mapa que tem tatuado é uma réplica do atlas de Francisco Rodrigues, elaborado entre 1511 e 1515, durante as viagens que fez ao lado de Afonso de Albuquerque em busca das “ilhas das especiarias”, as ilhas Molucas.

Recordo-me da estranha humidade durante esse primeiro setembro que passei na cidade. Recordo-me do cheiro a ranço e do ruído constante quando os lojistas subiam e desciam os estores de aço. Recordo-me do som dos carros e das motos a reverberar contra os velhos edifícios de pedra, do som de passos e das vozes que ecoavam nas ruas estreitas. Estava-se em 1975, dois meses antes da morte do general Franco. …

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“Quando a Yara entrou na vida do Pepe ele dizia estar com oitenta anos já feitos, e confesso ter ficado verdadeiramente surpreendido na noite em que ela me bateu à porta para me anunciar, com a sua natural desfaçatez e sorrisinho traquinas de menina impúdica, que acabava de deixar a cama do «nosso querido e muito sensual Pepinho». E diante da minha manifesta troça por algo que me pareceu desvairada imaginação …

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